Boa memória e alta concentração

Atualizado: Mar 16

Ter uma boa memória e alta concentração tanto nos estudos quanto no ambiente de trabalho é uma situação que requer múltiplos esforços. Dentre esses estão a organização, a não hesitação, as estratégias pessoais, a atividade física, a dieta, as horas de sono e um pouco de café.

Indivíduos que possuem o hábito diário de se organizar encontram mais facilmente seus documentos, informações e objetos, o que reduz o stress. Essa organização repercute no momento de tomar decisões, por isso dificilmente um indivíduo organizado será procrastinador, isto é, não deixa pendências ou serviços para depois ou pela metade.

Ter consciência de que não se tem uma memória perfeita é importante para listar os afazeres e as metas em curto, médio e longo prazo. Da mesma forma é preciso ter humildade para saber que vez ou outra pode se esquecer do nome de um cliente ou de onde guardou tal objeto. Por isso, quem tem consciência das próprias limitações não se incomoda em repetir o nome de alguém que acabou de conhecer, etiquetar documentos e objetos e jamais deixar algo fora do lugar.

Outro fator importante é a atividade física. O exercício diário promove a oxigenação de todas as áreas do corpo, chegando às células. Uma das principais causas de lesões no Hipocampo é a falta de oxigênio. O hipocampo é uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória e importante componente do sistema límbico. Além disso é relacionado com a navegação espacial. Se o hipocampo for deteriorado por infecções, traumas ou falta de oxigênio, a pessoa terá amnésia, logo, não poderá guardar informações.

A boa notícia é que ninguém precisa ter perda de memória com o passar da idade. A não ser que desenvolva a doença de Alzheimer, que também pode ser minimizada. Exercícios constantes para a memória e disciplina podem contribuir com a saúde desta.

Disciplinar a memória requer também organização. Já se sabe que executar duas ou mais tarefas simultâneas é um mito. Uma delas será incompleta e, ambas resultarão em stress e cansaço mental. Por isso, faça uma ação de cada vez. Entre uma e outra medite. A meditação ativa áreas do córtex, reduzindo a excitação mental. Nesse momento de meditação – 15 a 20 minutos diários, aproveite para se “desconectar”, relaxar os músculos, principalmente dos ombros e pescoço.

Para auxiliar na concentração e atenção, aposte no café. Isso mesmo!

A cafeína é provavelmente a substância farmacologicamente ativa mais frequentemente ingerida no mundo. É encontrada em bebidas comuns (café, chá, refrigerantes), em produtos que contêm cacau ou chocolate, em cápsulas e em medicamentos.

Para quem pensa que o café contém apenas cafeína, uma boa notícia (1-3): O grão de café (café verde) possui além de uma grande variedade de minerais como potássio (K), magnésio (Mg), cálcio (Ca), sódio (Na), ferro (Fe), manganês (Mn), rubídio (Rb), zinco (Zn), Cobre (Cu), estrôncio (Sr), cromo (Cr), vanádio (V), bário (Ba), níquel (Ni), cobalto (Co), chumbo (Pb), molibdênio (Mo), titânio (Ti) e cádmio (Cd); aminoácidos como alanina, arginina, asparagina, cisteína, ácido glutâmico, glicina, histidina, isoleucina, lisina,metionina, fenilalanina, prolina, serina, treonina, tirosina, valina; lipídeos como triglicerídeos e ácidos graxos livres, açúcares como sucrose, glicose, frutose, arabinose, galactose, maltose e polissacarídeos. O café torrado, os ácidos clorogênicos formam diversos quinídeos que possuem vários efeitos farmacológicos, como aumento da captação de glicose (efeito antidiabético), ação antagonista opióide (efeito anti-alcoolismo) e inibidora da recaptação da adenosina (efeito benéfico na microcirculação).

Assim, a cafeína é um estimulante cerebral natural, isto é, consegue elevar o estado de vigília e estímulo, podendo também melhorar o humor, o desempenho cognitivo, aumenta o estado de alerta e reduz a fadiga, melhora o desempenho em tarefas de vigilância (1-2).

Sabe-se que os efeitos centrais da cafeína são devido ao bloqueio dos receptores adenosina A1 e A2A, por isso o resultado é vigília prolongada (3). Estes receptores são amplamente distribuídos através do cérebro. Durante o metabolismo ela aumenta a fosforilação thr 75. A ingesta moderada em população adulta saudável não está associada à efeitos adversos.

Já se sabe que, na busca pela memória e concentração perfeitas, muitos jovens universitários ou trabalhadores noturnos se arriscam usando substâncias psicoativas que podem gerar prejuízos futuros. Apesar de sua capacidade de induzir tolerância e dependência física, aumento no humor negativo após a retirada, não induz consistentemente essas anormalidades comportamentais típicas de drogas e substâncias viciantes (4). A maioria dos estudos revela que o consumo de café gera benefícios ao organismo na luta contra doença coronariana, diabetes tipo II e também o câncer colorretal, além de gerar melhora no desempenho cognitivo (5-6).


Quer saber mais?

1 Smith, AP. Effects of caffeine on human behavior. Food and Chemical Toxicology, 2002, 40 (9), 1243-55.

2 Santana, LC et al. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes em Instituições de Ensino de Montes Claros/MG. Revista Brasileira de Educação Médica, 2020, 44(1), e036.

3 Lindskog, M.; Svenningsson, P.; Pozzi, L. et al. Involvement of DARPP-32 phosphorylation in the stimulant action of caffeine. Nature, 2002, 418 (6899), 734-6

4Acquas, E.; Tanda, G. and Di Chiara, G. Differential effects of caffeine on dopamine and acetylcholine transmission in brain areas of drug-naive and caffeine-pretreated rats. Neuropsychopharmacology, 2002, 27 (2), 182-93.

5Johnson-Kozlow, M. et al. Coffee Consumption and Cognitive Function among Older Adults. American Journal of Epidemiology, 2001. 156 (9), 842-50

6Christensen, L., Murray, T. A review of the relationship between coffee consumption and coronary heart disease. J Community Health 1990, 15, 391–408 (1990).

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