Vitamina D: do osso à corrente sanguínea

Atualizado: Mar 16

Cada vez mais pessoas estão tomando vitamina D. Segundo uma publicação na conceituada Revista médica JAMA, desde o ano 2000 ocorre também aumento da quantidade de pesquisas médicas que buscam possíveis benefícios da vitamina D. E, de lá para cá, temos visto grandes estudos clínicos se debruçarem a entender os efeitos dela no organismo, seja no controle dos ossos, efeitos ao coração, peso e imunidade, dentre outros.

As fontes de vitamina D para o nosso organismo são duas. A maior parte vem através da exposição da luz solar. O precursor, chamado de 7-dehidrocolesterol, com a ação do sol na pele é transformado em colecalciferol. O colecalciferol, que é a pré-vitamina D, precisa ser ativado pelo fígado e rim para então se tornar a vitamina D em sua forma ativa (1,25 OH vitamina D). As pessoas também podem obter vitamina D pelos alimentos, como salmão (selvagem e de cativeiro), sardinha e atum em conserva. Há também as fontes de alimento enriquecidos, como leite, suco de laranja e cereais.

Sabemos que a vitamina D é essencial para a saúde dos ossos - chamados de efeitos esqueléticos dela. A dose diária recomendada é 600 UI por dia para adultos com 70 anos ou menos e 800 UI por dia para aqueles com mais de 70 anos (segundo recomendações da revista científica Journal of the American Dietetic Association).

A vitamina D tem ação mais bem estudada no controle do metabolismo do osso. Níveis corretos de vitamina D no organismo garantem absorção de cálcio no intestino. Em caso de níveis baixos de vitamina D, as paratireoides – que são glândulas localizadas atrás da tireoide, na região inferior do pescoço – fabricam mais hormônio PTH. O PTH (paratormônio) tem a função de retirar cálcio dos ossos para equilibrar os níveis no sangue. Dessa forma, a falta de vitamina D, ao elevar o PTH, pode acentuar ou desencadear perda de cálcio nos ossos. Em crianças, a falta da vitamina D pode levar à osteomalacia e ao raquitismo.

Além do controle do cálcio, os músculos também tem receptores de vitamina D. Isso faz sentido quando vemos fraqueza muscular em pacientes com deficiência grave de vitamina D. Sabemos também que idosos com falta de vitamina D tendem a ter mais quedas do que aqueles com níveis normais.

Mas quanto de vitamina D é bom?

Antes de sabermos o quanto é bom, precisamos entender qual exame pedir. Como a vitamina D é ativada no fígado e nos rins, convencionou-se o uso da dosagem da 25 OH vitamina D na corrente sanguínea para fazer o diagnóstico. A dosagem da forma 1,25 OH vitamina D fica reservada principalmente para os pacientes com insuficiência renal.

Também é importante lembrar que os valores de referência foram revisados no final de 2017 pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Antes, considerava-se o valor normal acima de 30 ng/mL. No entanto, a correção dos valores de referência se fez necessária porque a análise da vitamina D em laboratório é de difícil realização e, portanto, precisou de uma nova padronização. Dessa forma os novos valores de corte são:

· Níveis acima de 20 ng/mL são desejáveis para população geral saudável.

· Níveis entre 30 e 60 ng/mL são desejáveis para grupos de risco como idosos, gestantes, pacientes com osteoporose, pacientes pós cirurgia bariátrica, entre outros.

· Níveis entre 10 e 20 ng/mL são baixos e com risco de aumentar a perda de massa óssea, osteoporose e fraturas.

· Níveis menores do que 10 ng/mL são considerados muito baixos e com risco de osteomalacia e raquitismo.

· Níveis acima de 100 ng/mL são considerados muito altos e com risco de elevação de cálcio no sangue acima do normal e, consequentemente, intoxicação.

A partir do momento que sabemos os níveis de vitamina D no sangue, é preciso saber se precisaremos repor ou não, a depender de uma avaliação em consulta. A reposição mais utilizada é pelo uso do colecalciferol via oral. Sabemos em pesquisas, por exemplo, que a suplementação de 7.000 UI/semana de colecalciferol, elevam em média de 7,5 ng/mL nas concentrações de 25 OH vitamina D após três meses. Mas lembre-se: converse sempre com seu médico ou nutricionista antes de tomar qualquer suplemento por conta própria.

Quer saber mais?

Rooney MR, Harnack L, Michos ED, Ogilvie RP, Sempos CT, Lutsey PL. Trends in Use of High-Dose Vitamin D Supplements Exceeding 1000 or 4000 International Units Daily, 1999-2014. JAMA. 2017;317(23):2448.

Ross AC, Manson JE, Abrams SA, Aloia JF, Brannon PM, Clinton SK, et al. The 2011 Dietary Reference Intakes for Calcium and Vitamin D: what dietetics practitioners need to know. J Am Diet Assoc. 2011;111(4):524-7.

MAEDA, Sergio Setsuo et al. Recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2014, vol.58, n.5 [cited 2020-04-03], pp.411-433.

https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminD-HealthProfessional/

https://www.endocrino.org.br/vitamina-d-novos-valores-de-referencia/



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